domingo, 26 de febrero de 2023

30/01/22

 

I

Qué terrible la despersonalización del cuerpo conocido,

Y no reconocido. Eres hijo del hijo pródigo

Y yo ya no soy tú madre.

 

Ángel yacente, yo ya no soy tu madre. Te amamanté de manera desinteresada como a las finas y sutiles cabras. Te adopté como a los jóvenes filósofos, te crie en el arte del diálogo, en la retórica, en el manejo y las maneras.

Tejí telas en tu frente, soplé cortinas traslucidas, las llené de belleza y de ternura.

Esparcí la leche por tu cara plisada y te di un nombre mientras, tú, te limitabas a abrir la boca para bostezar.

Sin mayor pretensión, ocupé un cargo que no me correspondía y te besé en la nuca varias veces mientras me clavaba estacas en los ojos del dolor.

Qué dolor, ser madre sin hijos, huérfana camino hacia el no-reconocimiento del hijo, del desagradecido, del exilio. Pusiste la retórica en mi contra y obraste con mano de hierro. Pusilánime, me golpeaste y me lanzaste por los aires, esparciste mis restos por el globo terráqueo y soplaste a mis espaldas la nuca. Nuca rasurada, nuca en estado de elevación.

Observa desde aquí tu declive de madre, he aquí tu obra que se subleva y se desgaja. Placenta no viene de placentero, pero bien podría serlo. Siempre quisiste criar un hijo y te salieron hormigas de las cuencas de los orificios. Desde ahora queda inaugurado tu descenso.

lágrima oscura sobre a pele branca

 

Não tenho nada ao que me segurar. Nem minha pele, branca,

Se alguém perguntar alguma vez

Diz-lhe que tenho minhas origens e... o simbólico.

 

Como eu faço para falar sobre isso que me constringe? Então...

Será que existe uma alma mestiça? Sei não, com certeza

não posso adotar essa visão não.

Mas então, por onde começar?

É justo falar de um começo além do meu próprio nascimento?

Ir por trás das raízes que permeiam minha identidade.

Qual é meu lugar de fala então? Sei lá.

Só sei que não quero ocupar o que não é meu, mas...

Tem alguma coisa que me pertence?

É isso verdadeiramente importante?

Só quero desfazer-me do ego mesmo, vai, 

vai embora.

 

Tem dias que sinto um sangue escorregando pela minha faze sabe.

Dentro de mim tem um grito que pede desculpas

como se alguém

Tivesse-as pedido.

O que tudo mundo sabe, mas eu não sei, e que ninguém as

Pediu. Somente as reclamou,

Por uma questão, tal vez, de justiça.

 

Não sei de onde provem o grito,

Exatamente. Gostaria de saber o exato das coisas.

tal vez venha dum lado, como se esteve recortada por um fio preto.

Sendo assim, como um desenho desfigurado numa cartografia anónima.

Pois o meu nome não deve ser nomeado ainda

Por tantas outras vozes que me configuraram lá trás

Na minha história apócrifa.

 

....

Tem sim, um lugar para mim.

Mas não devo ter pressa ainda.

Tudo isso vai acontecer além do meu entendimento,

Sendo,

tal vez,

questão de se deixar ser,

De se deixar ir e ver o que acontece.


setembro.2022

Cartografía do sujeito anfíbico

 

Repienso sobre mi condición de sujeto anfíbico desde un lugar diferente. Me cuesta pensarme en aquella persona que un día voló para vivir en otro lugar. A veces se me olvida que vine de algún otro sitio, incluso que viví otras vidas. En cierta forma siempre he estado aquí, en este pedazo de tierra. Me gustaría decir que nada ha cambiado, pero a decir verdad não existe mais aquela concepção. Quizá esto suponga uma mudança paradigmática, un modo distinto de entender la estética, de comprender cuáles son nuestras verdaderas prioridades. Brasil me ha otorgado un modo diferente de ver la vida, más allá de las florituras, além da superficie existe un sistema capaz de autogestionarse. Os espaços onde agora me desloco requerem de um novo modo de pensar, de falar, de me dirigir aos outros, outros que já fazem parte da minha atuação. La lengua adoptiva que me disse o tempo todovocê está em casa’, e cara, realmente estou. É sobre isso, sobre a vida dando no ponto certo. Cada día que pasa me siento más cómoda en este lugar que es capaz de adquirir múltiples formas. Y cada día que pasa resurjo y me misturo con esa vida que es tan cambiante. Vivir aquí es aceptar la maleabilidad de los acontecimientos, es entender que no hay nada proscrito que no hay un orden establecido, que simplemente é se jogar na vida como quem não deixa de se apaixonar pelas coisas simples. Posso dizer que acordei de uma forma única, numa espécie de reencarnação. Tem sido muitas conversas, muitas faces, muitas corporalidades me circundando nesse período. Pô, estou arrasada de uma forma tão aleatória. E agora, onde coloco todo esse aprendizado, me digam? Só vivendo mesmo, olhando para tudo que é canto. Ni siquiera sé exactamente qué quiero decir con esto, tal vez lo que quiero es que, joder, nunca podré volver a entender la vida como la entendía antes después de ver lo que veo todos los días. Tengo los ojos límpidos, no hay tela que cubra eso porque no existe algo así. No existe modo de retroceder después de lo que Brasil me está dando. Sencillamente hay cosas que ya no necesito y que, apuesto, nadie necesita. De repente tomei banho no mar e joguei fora todo aquilo que me atrapalhava dum jeito quase asfixiante, morar na Europa traz isso, mas a gente não é ciente até que voa, até que chega o momento de se espalhar. Agora o mar é mais mar, a lua é mais lua, as flores, o sol de repente virou sol, sabe. No quiero decir que el sol allí no lo sea, pero aquí se deja ver por entero, aquí a dor é mais dor, a fome que sempre é a mesma seja onde for es aquí más visible, y por eso el dolor es más dolor y por eso existe una jerarquía de prioridades, una forma de interactuar con una escala de valores. De repente me dan igual tantas cosas… lo importante ahora es conocer cómo se erige este sistema, esta estructura, cómo es capaz de organizarse de tal manera que, a pesar de todo el caos, há um sentido. Ter compreendido que existe esse sentido por tras de toda esta forma de viver es unos de los logros más grandes de mi vida, y por supuesto, no hay posibilidad de volver de eso. E aí, e agora, onde será que coloco todo esse aprendizado, me digam?

Cadê meu estilo?

 

Cadê meu estilo? Onde é que foi parar?

¿Dónde estás? Venha logo, preciso de você,

Aqui. Luego no, já de já.

Que estou meio surda, meio paraplégica,

Mis manos resultan inaccesibles,

Perdí el hilo que hacía que las cosas funcionasen,

Perdí qualquer capacidade de captar sentido.

 

E ela me disse assim:

- Nunca é tarde para perder uma voz

con la cual se ha nacido. Pensaba que tenía claro

minha fala, y resulta que... sumiu. foi embora.

Cadê o meu lugar de enunciação?

 

Nunca es tarde para darse cuenta de que

Se llega tarde a un sitio en el que no se conocen las leyes,

- E agora, o que acontecerá conosco?

Precisamos então estudar a lei de como se faz tudo de novo,

- É sério? Mas, então

 Como é que se constrói uma casa à beira da praia?

 

No conozco otro camino que no sea este,

Siento que vuelvo sobre solo pisado.

 

....

 

Enxergo os textos do dos mil e vinte,

Cadê você? Não à vejo mais, será que aún

¿Existes detrás de todas aquellas palabras?

Foi você que escreveu aquilo trás das paredes.

Veja como começa a percorrer todas as tuas ideias,

Poco a poco no va quedando nada.

 

Haces dos años decías algo así como:

‘Al escribir en dois me da la sensación de que tránsito, al fin’.  

É só agora sabes quan cierto es, que transitar

Es certamente, se reconhecer num espelho múltiplo.

Y de que no era el fin, sino el principio.

El principio de una tarde

    O princípio de uma jornada

         O inicio de uma mañana

               A jornada que chega tarde,

 

Não sei se foi mesmo que perdi ou ganhei.

Me sinto inabilitada para me expressar exatamente

Como eu quero, mas... vamos lá

Tô me despedindo daquela menina de dos mil e vinte,

[Nossa que cansaço e esse] dos mil veinte, eso.

Que não sabia ainda falar mais de duas silabas

Sem engolir saliva, sem ter medo de errar,

Sem ser vista por alguém que a diga: tú não é daqui né?

 

Não sou daqui, sou da...

Mas tenho meu documento aqui comigo,

(com a cara de quem renunciou faz tempo)

Olha, veja só, aqui tem colocado, RG,

‘mas senhora, embaixo está escrito: naturalidade: espanhola’

É só um papel, mas vou lhe dizer, chorei quando teve ele na mão.

Chorei, como nunca antes.

Só pelo motivo de tê-lo nas mãos, assim, todo cumprido.

 

‘mas senhora, você não nasceu aqui, veja só,

Sua cara (me julgando) me olha pelo retrovisor.

O seja, me escrutina de arriba a bajo.

Pois é, finalmente devo dizer que você não é daqui.

¿Y tú qué sabes? me dan ganas de decirle.

Usted lo que no tiene es ni puta idea.

 

Me bajo del coche con mi documento en la mano. 

 

 

lunes, 10 de febrero de 2020

não há tradução




De um lado
Eu gosto de opostos
E exponho o meu modo, Me mostro
Eu canto para quem?” 
Adriana Calcanhotto – Esquadros. 




          Poco a poco vou enchergando más de cerca lo que significa la escritura para mí. Seu jeito de ser no mundo, al menos en lo que a mí respecta. A gente no comprende del todo lo que es la escritura hasta que no la siente na pele, vertiginosa, cadavérica. 
Me siento ligada a Anzaldúa cuando habla de la palabra desde la carne porque entiendo que ese es el único jeito en el que se puede hablar de escribir. En ella brota sangue, metafórica y no metafóricamente hablando. La metáfora es la puerta por dónde se sale al mundo de los no vivos. Significa un túnel.

La leo, y siento que sou duas – dos en português tiene género y yo empiezo a odiar a los neutros, salvo cuando son para incluir a la mayoría – a gente sabe disso. 
Sou duas pessoas cuando me adentro en las fronteras del léxico. Siento que con eso también me estoy posicionando en un espacio. Gloria me ha dado eso, aunque no sea a mí a quién iba dirigido. 
El léxico está limitado por la experiencia de una lengua. Existen vacíos conceptuales que han de ser rellenados, máguas, feridas... que viram-se multiplicidades. Al escribir en dois me da la sensación de que tránsito, al fin. 

Acredito em que achei la Forma. Aunque faltan ciertas reglas, sé que estoy cerca. Aún me tiembla la lengua. Além, de una manera casi metafísica. Los conceptos gravitan y se reconcilian en este preciso momento, el arte adquiere vida porque adquiere multiplicidad, es maleable, se articula y estructura conforme devienen cambios. Ejerce su propia musicalidad bajo una rítmica nova, bagunçada, impermeável. Solo yo conozco esa nova música: tropicalista, tal vez. Tomara som de berimbau, ojalá. Comprendo mis limitaciones como compositora, me remito al lenguaje que conozco y le doy forma. 

Saudade de ser outra, sigo siendo yo en el espejo, oigo decir a Pizarnik. El discurso lineal ha muerto nesta noite terrível, agora fecha os olhos, sou você que te chama.





11/02/2020
Bajo, "Borderlands/La Frontera" - Gloria Anzaldúa.